Outubrite

21:48


Venho apresentando os sintomas desde setembro; cansaço excessivo, sono, pesadelos absurdos, medo; mas como boa brasileira ignorei ao máximo, bom outubro chegou e está impossível de continuar ignorando. É a doença do vestibulando.
Esse foi o ano em que eu decidi que finalmente entraria em uma universidade pública, então para que isso se realizasse com mais facilidade entrei no cursinho pré-vestibular no começo do ano. Um ano dedicado a estudos que eu já deveria estar careca de saber, afinal foram 11 anos no colégio para que nos dias das provas estivesse tudo esclarecido, eer... não!
Eu achei que conseguiria estudar de acordo com as recomendações dos professores: aula dada, aula estudada HOJE. Que eu pintaria os quadradinhos de tarefa feita sem problemas, completaria as listas extras no horário de almoço, manteria meu horário de estudo organizado e que tiraria dúvidas no plantão. Tinha até um post planejado para ajudar quem está na mesma situação de estudos que eu. Mas obviamente não rolou toda essa disciplina.
Já faz 4 anos que eu terminei o ensino médio e devido as memória apagadas dessa época, eu estava empolgada com mais um ano de estudos, "vai ser divertido, vou até fazer amizades", pensei ingenuamente. O começo foi realmente mágico e um pouco solitário, completei duas apostilas, estudava quando o trabalho dava uma folga, amava meus professores e terminei o semestre sem nenhuma falta (ok, talvez duas). Não fiz amigos, algumas colegas de "oi" "até amanhã" e só. Fui para as férias com a promessa de terminar as apostilas que eu não tinha conseguido e me esforçar mais em matemática, afinal é minha segunda fase. Eu pensava em segunda fase sem nem ter conseguido a primeira, era muita esperança para uma pessoa só. Eu realmente estudei durante uns dias, mas somente as matérias que eu gostava mais.
As aulas voltaram e com elas a vontade de continuar em casa; agosto e setembro foram meses horríveis na minha vida geral e isso afetou tudo, principalmente minha falta de forças para sair da cama e ir atrás da realização da minha vida. Eu já não aguentava mais ficar o período todo dentro da sala de aula, as matérias de exatas que já me davam arrepios agora me davam asco, nem meus professores preferidos escaparam do meu pensamente de "o que eu estou fazendo aqui?".
Agora com o Enem tão perto e real essas sensações de vazio e incompreensão só aumentam, "será que eu vou acertar esse tipo de exercício?" "e se eu passar, como vou me sustentar longe de casa?" "é esse curso mesmo que vai me fazer feliz?" "por que eu não estudei mais?" "e se eu não passar?"Eu estou apavorada como nunca estive antes, tenho mil planos paralelos na cabeça caso as coisas não saiam como o previsto e outros mil caso dê tudo certo, mas ainda assim não me sinto bem o suficiente nessa situação. Eu me sinto sozinha, desamparada e infantil; vivo para me convencer que vale a pena e que vai dar tudo certo apesar dos tantos "e se". Vivo cada dia lutando contra os milhares de questionamentos que querem me sufocar, vivo tentando não me perder em mim mesma. Sozinha, e isso é assustador.

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