Crônico: Dilacera-me

21:12


De repente era como se uma faca invadisse o espaço bem no meio do meu peito, perfurando milimetro por milimetro sem nenhuma hesitação. Petrifico. Mas depois de tantas outras dores sentidas ao longo do caminho, essa pareceu não incomodar muito. Me permiti senti-la, pois precisava aliviar toda a pressão dos anos, deixei minha mente vagar por todos os momentos em que me senti viva. Até que explodiu. Fragmentou meu músculo mais forte. Uma explosão em vermelho.
Soube que aquela era a hora de desistir da ideia de que as coisas poderiam, um dia, voltar a ser como antes. Que nem todo o amor do mundo suportaria tamanha desolação Soube reconhecer uma batalha perdida, ele finalmente conseguiu me abater.
As peças fragmentadas continuariam ali, irredutíveis. Muito provável sem que um dia consigam ser reunidas e trazer aquele velho coração de volta, e mesmo que consigam, as pequenas lacunas que se formassem seriam impossíveis de completar. Me expus, mostrei o que tinha de mais bonito dentro de mim e esse foi o preço a ser pago.
Mas eu senti. Bem no meio, uma leve formigamento. Como uma centelha pronta para expandir-se. Não tinha acabado ainda.

Lígia Timóteo

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